Três textos sobre a cidade

Um livro de Rem Koolhaas

 

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Este livro reúne três textos sobre a cidade que continuam a linha seguida por Nova York delirante (1978), o já clássico manifesto retroactivo de Manhattan, que oferece uma visão lúcida das forças ingovernáveis que regem o espaço da cidade contemporânea. O texto 'Grandeza, ou o problema do grande' constitui uma elaboração teórica sobre a arquitectura, abordada a partir do problema da dimensão dos objectos na cidade; 'A cidade genérica' reflecte sobre a importância dos grandes fenómenos vinculados ao desenvolvimento global das sociedades ocidentais; e 'Espaço-lixo' volta a explorar a natureza do espaço que essa mesma cidade genérica gerou.

Descrição técnica do livro:

112 páginas
Português
ISBN/EAN: 9788584520183
2014
Descrição
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Detalhes

Este livro reúne três textos sobre a cidade que continuam a linha seguida por Nova York delirante (1978), o já clássico manifesto retroactivo de Manhattan, que oferece uma visão lúcida das forças ingovernáveis que regem o espaço da cidade contemporânea. O texto 'Grandeza, ou o problema do grande' constitui uma elaboração teórica sobre a arquitectura, abordada a partir do problema da dimensão dos objectos na cidade; 'A cidade genérica' reflecte sobre a importância dos grandes fenómenos vinculados ao desenvolvimento global das sociedades ocidentais; e 'Espaço-lixo' volta a explorar a natureza do espaço que essa mesma cidade genérica gerou.

Rem Koolhaas (1944) é arquitecto pela Architectural Association de Londres. Fundou o Office for Metropolitan Architecture (OMA) em 1975 juntamente com Elia e Zoe Zenghelis e Madelon Vriesendorp. Foi professor convidado da Architectural Association de Londres e da Harvard University e, entre outros prémios, em 2000 recebeu o Prémio Pritzker. É autor de Delirious New York (1978; versão portuguesa: Nova York delirante, Editorial Gustavo Gili, Barcelona, 2008) e co-autor de S, M, L, XL (1995), Mutations (2000), Great Leap Forward (2001), The Harvard Design School guide to shopping (2001), Content (2004), Post-occupancy (2006) e Al Manakh (2007).

Índice
Índice

Sumário

Nota editorial

Grandeza, ou o problema do grande

A cidade genérica

Espaço-lixo

Leia um trecho
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Texto da introdução:

‘Cultura OMA

Nuno Grande

A tradução, para língua portuguesa, de três ensaios fundamentais do arquitecto holandês Rem Koolhaas constitui um facto assinalável, que importa relevar e enquadrar. Complexos, densos e alegóricos -além do mais, escritos originalmente num inglês heterodoxo-, estes textos obrigam a uma tradução atenta, e nem sempre isenta de riscos. No presente caso, o desafio foi lançado pela Editorial Gustavo Gili, e assumido por Luís Santiago Baptista, arquitecto e divulgador da produção teórica de Rem Koolhaas em Portugal; aqui e agora, alargando, uma vez mais, os modos de recepção dessa produção.

Os três ensaios traduzidos -‘Bigness, or the problem of the large’ (1994), ‘The generic city’ (1994) e ‘Junkspace’ (2001)- sustentam a afirmação de Koolhaas enquanto grande criador-panfletário da cultura arquitectónica do último fin de siècle, período em que soube aproveitar, de modo sábio e subversivo, os processos de globalização e de mediatização cultural em curso. Eis uma das características que o ligam a outro grande criador-panfletário desse mesmo século -Le Corbusier- por mais que alguma crítica conservadora teime em ignorá-lo. Mas não só: tal como o mestre francês de origem suíça, também Koolhaas aprendeu a usar a escrita como meio de antevisão e de aferição da sua prática arquitectónica, continuamente exercida no seio do Office for Metropolitan Architecture (OMA). Neste sentido, estes textos são, também eles, definidores de uma ‘cultura OMA’.

Foi sobretudo a partir da sua obra de referência Nova York delirante, editada em 1978, que Koolhaas passou a interessar-se pelo impacto da ‘grandeza’ (bigness) na arquitectura e na cidade contemporâneas, tendo em conta os saltos de escala e de complexidade que mecanismos tão prosaicos como o automóvel, o elevador e o ar condicionado trouxeram à produção imobiliária das metrópoles modernas. Segundo o autor, ao mudar a natureza da encomenda, essa produção condenou a ancestral condição artística e ideológica dos arquitectos, a partir de então, incapazes de teorizar sobre as suas próprias ‘extravagâncias’ -Koolhaas escreve, no texto agora traduzido, que ‘sem uma Teoria da Grandeza, os arquitectos ficam na posição dos criadores de Frankenstein’.

Perseguindo essa ‘teoria’, o OMA passou a explorar a natu-reza icónica da ‘grandeza’, em projectos tão marcantes como o terminal marítimo de Zeebrugge, a Trés Grande Bibliothèque de Paris, o plano de EuroLille, a biblioteca pública de Seattle, ou, mais recentemente, a Casa da Música, no Porto. Eis aqui uma outra boa razão para que este texto veja, agora, a sua tradução para português.

No mesmo livro, onde edita ‘Bigness, or the problem of the large’, Koolhaas escreve sobre o que denominou de ‘cidade genérica’ (generic city), deslocando o seu olhar, das metrópoles americanas e europeias para as novas constelações urbanas na Ásia e na África. Nesse ensaio, o autor identifica uma outra urbanidade, ‘libertada da clausura do centro’ e ‘do espartilho da identidade’, que o ajuda a compreender essas cidades que nascem como os aeroportos -híper-globais, multirraciais, híbridas-; que se constroem como as grandes cadeias de hotéis -por redundância, por anomia, por entropía-; e que vivem, uma vez mais, do triunfo do prosaico: do ar condicionado, do silicone, da cenografia pós-moderna.

Esta sua visão urbana, situada algures entre o realismo e o cinismo, sustentou, quer os estudos que desenvolveu no curso pedagógico Project on the City, na Harvard University -em torno das cidades do Pearl River Delta, na China, ou de Lagos, capital da Nigéria-, quer a mostra que organizou sobre o crescimento delirante das cidades do Golfo Pérsico, para a Bienal de Arquitectura de Veneza de 2006, em colaboração com a organização gémea do OMA -a AMO: Architecture Media Organization-, por si fundada em 1999.

Por fim, e à entrada do novo século, Koolhaas escreve sobre o ‘espaço-lixo’ (junkspace), uma vez mais, partindo de reflexões desenvolvidas no âmbito académico. No ensaio, o autor olha, de novo, para esses lugares onde se concentram os ‘despojos da modernidade’, sob o domínio do consumo rápido e do lazer instantâneo -as lojas duty-free nos aeroportos (um dos seus fetiches recorrentes), mas também os centros comerciais, os casinos e os parques temáticos. A evocação do banal é retomada nas suas descrições sobre os sistemas de acesso, de climatização, de segurança, de decoração -as escadas rolantes, as condutas, as portas corta-fogo, a iluminação fluorescente, a vegetação de plástico-, enfim, toda essa amalgama que conforma os mais diversos ‘simulacros’ arquitectónicos (lembrando aqui Jean Baudrillard).

No ‘espaço-lixo’, o triunfo é agora do Pladur -material que, como escreve Koolhaas, ainda não consta dos livros de história da arquitectura-, sempre tão adequado a uma cenografia cartonada em periódica ‘remodelação’. Não por acaso, este texto sustenta um período controverso, em que o OMA passa a dedicar-se, precisamente, à remodelação de espaços comerciais, sob encomenda da mediática marca Prada, mas também de espaços culturais, como aconteceu com a instalação do Guggenheim Hermitage Museum no casino Venetian de Las Vegas. Estas foram experiências, de certo modo falhadas, em que o ‘criador’ se viu confrontado com as perversidades do seu próprio ‘panfleto’, o que comprova essa mútua aferição entre teoria e prática, que vimos descrevendo no trajecto de Rem Koolhaas.

Estamos já relativamente distantes dos anos em que estes três ensaios foram escritos. De algum modo, muitos dos seus conceitos, tantas vezes repetidos, tantas vezes citados, podem parecer-nos datados. Mas não esqueçamos que, até hoje, raros foram os textos que souberam definir, de um modo tão lúcido e cru, como estes, essa condição iconoclasta, genérica e consumista que vem definindo a nossa contemporaneidade. A ‘cultura OMA’ é, afinal, o espelho da nossa própria cultura.’



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Copyright da presente ediçao: Editorial Gustavo Gili SL

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