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Indicação da parceira: Arquitetando Ideias sobre o livro O ABC da Bauhaus

Por Elenara Leitão- Em 1919, em Weimer, Alemanha, começou a funcionar uma escola de design que seria marcante para as artes gráficas e arquitetura do século XX.

A Bauhaus sob a chancela de Walter Gropius e uma renomada lista de artistas e profissionais que buscavam novas formas de expressão. Entender mais profundamente os objetivos e realizações da escola, com um conceito editorial e tipográfico que remete aos ideais que a criaram, é o que nos traz o livro "O ABC DA BAUHAUS" que homenageia de forma brilhante o centenário de uma das mais clássicas escolas de design do mundo.
"a arquitetura expressa a atitude de uma época em relação à vida" Heinrich Wölfflin

 
Entender como nascem as ideias e as formas de expressão cultural passa pelo entendimento da sociedade, cultura e época onde se insere. Não é diferente com a Bauhaus, uma escola mantida pelo poder público que fomentava de maneira prática ideais de transformação da arte, unindo artesanato e indústria em forma muito revolucionária que marca nossos objetos e arquitetura até hoje.

 O nome Bauhaus tornou-se símbolo de um momento áureo de pensamento unificado em torno das formas, dos materiais e das ambições sociais do design moderno. Fundada em Weimar, na Alemanha, em 1919 e abolida pelos nazistas em Berlim em 1933, a escola Bauhaus era um local de encontro das artes e das ideias, conflituoso e em constante mudança. O mito Bauhaustraduz uma ânsia pela funcionalidade e um desejo de libertar o mundo por meio de uma linguagem de design universal. Na realidade, a Bauhaus era um lugar desordenado e instável. Na Bauhaus, as ideias repercutiam, confrontavam-se e disputavam a dominância. Este livro aborda algumas dessas ideias centrais – de onde vinham, como se cristalizavam e como, quase um século depois, continuam a reverberar na cultura popular.

Através de vários artigos vamos tendo uma visão sobre como se estruturava a escola, suas ideias e formas de expressão, e tudo isso com uma diagramação que instiga a mente de quem lê, fazendo deste livro "uma tentativa ambiciosa de unir a escrita crítica a um layout de página fluído e autorreferente"

 “Criemos juntos a nova construção do futuro, que juntará tudo numa única forma: arquitetura, escultura e pintura" Walter Gropius - manifesto da Bauhaus 1919

O ABC da Bauhaus : A Bauhaus e a teoria do design
Ellen Lupton, J. Abbott Miller

“a forma segue a função”

 
Minha formação teórica acadêmica foi muito marcada pelo modernismo e se não focasse particularmente a Bauhaus, a escola era muito citada nas aulas e na produção arquitetônica dos mestres.
 A leitura do livro descrito acima, me levou a uma viagem mais profunda sobre a Bauhaus, complementando a leitura com vídeos e referências gráficas da produção da escola que perdurou a Alemanha de 1919 a 1933. quando é fechada por ordem do governo nazista. Seus mestres almejavam que teoria e prática andassem juntas e as oficinas se tornaram célebres na escola. Seus alunos eram taxados de baderneiros por muitos e o local pulsava com uma reunião de grupos criativos que atuavam em todas as áreas, da produção têxtil, tipografia, teatro à arquitetura. Embora vanguardistas e tendo alunas mulheres, não foi propriamente uma escola que avançasse além de sua época em igualdade de gênero.
Com a perseguição em seu país pelas forças do obscurantismo nazista que perseguia a cultura que não fosse a oficial e aceita pelo regime, muitos dos professores se mudaram (particularmente para os EUA) e alguns apontam que esse foi um dos motivos da Bauhaus ter perdurado tanto como movimento transformador. Chicago e suas construções é um belo exemplo disso. Hoje a Bauhaus, renovada em suas ideias, continua a existir como escola na Alemanha, investigando o que as novas tecnologias podem fazer pela sociedade.

 Com cerca de 4.080 estudantes de 70 países, ela é uma das universidades mais internacionais da Alemanha. Desde 1996, os prédios da Bauhaus em Weimar e Dessau são Patrimônio Mundial da Humanidade e atraem tanto turistas quanto estudantes.

Voltando ao livro. Por que estudar os clássicos? Para entender melhor a produção de nosso século e do século passado. Para aprofundar conceitos e até para contradita-los, não apenas baseado em crenças infundadas ou achismos, mas amparados em argumentos de pesquisa e conhecimento.
Criação. Pulsão de vida. Harmonia de técnica e arte. Que baixe em nós a saudável balbúrdia que permitiu a criação da Bauhaus em 1919, talvez em outras ideias, mas com o mesmo espírito de busca e de liberdade criativa.