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Arquitetura e crítica

O que é a crítica? Quais são seus objetivos e seus significados? Ela tem algum sentido? Este livro pretende responder a essas questões de uma maneira concisa e didática, centrando-se nas relações entre arquitetura e crítica. Esta introdução à crítica arquitetônica fornece o contexto necessário para podermos entender os mecanismos utilizados pela crítica, seus limites e seus objetivos. Desde os pioneiros da crítica arquitetônica do século xix até os personagens-chave da historiografia moderna, como Sigfried Giedion, ou os textos de arquitetos protagonistas, como Adolf Loos ou Le Corbusier. Desde as diferentes interpretações derivadas do existencialismo, da fenomenologia, da iconografia ou do estruturalismo, até o atual panorama pós-estruturalista, em que se destacam nomes como Peter Eisenman, Rem Koolhaas ou Kenneth Frampton, em um percurso ao longo do século xx que permite compreender as chaves utilizadas pela crítica desde as suas origens até a atualidade.

Descrição técnica do livro:

13 x 20 cm
160 páginas
Português
ISBN/EAN: 9788584520145
Brochura
2013 (8ª tiragem)
Descrição
Descrição

Detalhes

O que é a crítica? Quais são seus objetivos e seus significados? Ela tem algum sentido? Este livro pretende responder a essas questões de uma maneira concisa e didática, centrando-se nas relações entre arquitetura e crítica. Esta introdução à crítica arquitetônica fornece o contexto necessário para podermos entender os mecanismos utilizados pela crítica, seus limites e seus objetivos. Desde os pioneiros da crítica arquitetônica do século xix até os personagens-chave da historiografia moderna, como Sigfried Giedion, ou os textos de arquitetos protagonistas, como Adolf Loos ou Le Corbusier. Desde as diferentes interpretações derivadas do existencialismo, da fenomenologia, da iconografia ou do estruturalismo, até o atual panorama pós-estruturalista, em que se destacam nomes como Peter Eisenman, Rem Koolhaas ou Kenneth Frampton, em um percurso ao longo do século xx que permite compreender as chaves utilizadas pela crítica desde as suas origens até a atualidade.

Josep Maria Montaner (1954) é doutor em arquitetura e professor catedrático do Departamento de Composição Arquitetônica da Escola Tècnica Superior d’Arquitetura de Barcelona (ETSAB-UPC). Já foi professor convidado em diversas universidades da Europa, América e Ásia e é autor de inúmeros artigos e publicações, como Sistemas arquitetônicos contemporâneos (2015), A modernidade superada (2011), Arquitetura e política (2014, com Zaida Muxí), Arquitetura e crítica (2014) e Do diagrama às experiências (2017), também publicados pela Editora Gustavo Gili. Colaborador habitual de revistas de arquitetura e do jornal espanhol El País, em junho de 2015 foi nomeado conselheiro de habitação e conselheiro distrital de Sant Martí na Prefeitura de Barcelona.

Índice
Índice
Índice
 
Introdução à problemática da crítica
O sentido da crítica 9
As origens da crítica
O ensaio como técnica da crítica
 
Matéria e técnica da crítica
Os espaços da crítica
Os contextos da crítica
Os limites da crítica
Os objetivos básicos da crítica 25
Crítica e obra criativa
Teoria e crítica
 
Pioneiros
Positivistas e antimecanicistas
O surgimento da teoria da arte centro-européia
Nem auge, nem decadência
De um esquema de dicotomias a uma ciência da iconologia
 
A historiografia operacional do movimento moderno
As bases metodológicas do movimento moderno
A obra escrita dos protagonistas
Sigfried Giedion: a construção de uma historiografia do movimento moderno
A historiografia oficial da arquitetura moderna
A continuidade das interpretações da arquitetura moderna: Reyner Banham e Leonardo Benevolo
Quadro cronológico dos textos básicos da arquitetura moderna
 
Existencialismo, fenomenologia, iconologia e marxismo
A evolução dos estudos iconológicos: Panofsky, Wittkower, Gombrich
De Edoardo Persico a Ernesto Nathan Rogers: a recuperação do sentido da história
Christian Norberg-Schulz: a arquitetura como espaço existencial
Tradições revisionistas do movimento moderno: de Lewis Mumford a Jane Jacobs
Uma visão crítica dos conceitos de vanguarda e de modernidade: o legado de Walter Benjamin
 
A contribuição do estruturalismo
O estruturalismo nas teorias de Robert Venturi e Aldo Rossi
As interpretações semiológicas, sociológicas, psicológicas e antropológicas
Manfredo Tafuri: a crítica ideológica
Colin Rowe: o formalismo analítico
Os epígonos das metodologias críticas: Colquhoun, Tedeschi e Waisman
 
Últimas interpretações na era pós-estruturalista
A crítica a partir da desconstrução pós-estruturalista: Peter Eisenman
A teoria a partir da criação: Rem Koolhaas e a crítica neoliberal
Estratégias de resistência: Kenneth Frampton, regionalismo crítico e tectônica
A busca de um novo rigor metodológico: Royston Landau e Micha Bandini
Uma nova ética para a arquitetura
A crítica radical norte-americana
Crítica da arquitetura na América Latina
Conclusões
 
Bibliografia básica
Bibliografia específica
Agradecimentos
Índice onomástico
Leia um trecho
Leia um trecho

Texto da introdução

Introdução à problemática da crítica

‘Sócrates: Deparei com uma dessas coisas que o mar arremessa; branca, de uma brancura puríssima, espelhada e dura, suave e leve... Quem te fez?, pensei. Não te pareces com nada, e nem por isso és informe.

Fedro: E de que matéria era feita?

Sócrates: Da mesma matéria que a sua forma: de dúvidas.’

Paul Valéry, Eupalinos, 1921
(a partir da tradução espanhola de Josep Carner), Colegio Oficial de Aparejadores y Arquitectos Técnicos, Murcia, 1982, pp. 63-64.

O sentido da crítica
O que é a crítica? Quais são os seus objetivos e os seus significados? A crítica tem algum sentido? Este livro pretende responder a essa questão de uma maneira breve e didática, centrando-se no campo das relações entre arquitetura e crítica.

Numa primeira definição, a crítica implica um julgamento estético. Tal julgamento consiste em uma valoração individual da obra arquitetônica empreendida pelo crítico a partir da complexidade da bagagem de conhecimentos de que dispõe, da metodologia que utiliza, de sua capacidade analítica e sintética, bem como de sua sensibilidade, intuição e gosto. Ao mesmo tempo, porém, parte de um compromisso ético: a melhoria da sociedade, o enriquecimento do gosto artístico, a defesa da adequação da arquitetura àqueles que são seus fins. Assim, a crítica, principiando como opinião pessoal de um especialista, tem como objetivo integrar a vontade coletiva, difundir-se por meio de publicações, suportes midiáticos, cursos e debates cidadãos, para, finalmente, reverter-se à esfera subjetiva de cada indivíduo dentro da sociedade.

A atividade do crítico consiste em compreender a obra para que seu conteúdo possa ser explicado ao público. Isso não significa que o crítico possa interpretar integralmente tudo aquilo que compõe a complexidade da obra arquitetônica, nem que seja capaz de esgotar os fundamentos da capacidade criativa do arquiteto. Por exemplo, podemos explicar a fundo a obra de Le Corbusier, seus antecedentes e sua formação, as estruturas tipológicas básicas utilizadas e o contexto cultural e histórico em que se desenvolveu, mas dificilmente seríamos capazes de elucidar por que Le Corbusier foi um criador muito superior a arquitetos qualificados como Pierre Jeanneret, Jerzy Soltan, Guillaume Jullian de la Fuente ou Ianis Xénakis, que trabalharam com ele em seu escritório na rue de Sèvres, em Paris. Aspectos do autor e da obra sempre permanecerão desconhecidos, velados e inexplicáveis, à espera de futuras interpretações.

A crítica, portanto, situa-se no amplo horizonte que se estende entre dois extremos ilusórios e falsos: de um lado, o excesso racionalista e metodológico, que crê que se possam estabelecer interpretações totalmente confiáveis e comprováveis, únicas e estáveis, sobre toda a obra de criação, e, de outro, o excesso irracionalista, arbitrário e bárbaro, que alega a inutilidade de toda crítica e interpretação diante das grandes obras de arte, essas criações sempre misteriosas e individuais cuja essência é insondável. Distante desses limites igualmente absurdos situa-se o campo da interpretação.

As origens da crítica
A primeira resposta a toda pergunta que se refira a uma disciplina humana sempre tem sido buscada em suas origens, em seus primeiros movimentos e atitudes. Para explicar em que consiste a crítica de arquitetura não há outro caminho que não recorrer à sua própria história. É essencialmente disso que este livro vai tratar.

As origens da crítica situam-se na segunda metade do século xviii, com o surgimento do espírito ilustrado e a eclosão do neoclassicismo, que, mais do que um estilo, representou uma total transformação do gosto e dos métodos de criação e de interpretação das artes, da arquitetura e das cidades. Um dos primeiros passos da crítica surgiu com os escritos que os teóricos do neoclassicismo - como Mengs, Lessing e Winckelmann - lançaram contra o barroco tardio. Nesse sentido, o nascimento da crítica dá-se em uníssono com o nascimento da estética e da arqueologia, ao mesmo tempo que são abertos os primeiros museus públicos, que se sistematizam as escavações arqueológicas e se executam as primeiras restaurações.

Denis Diderot (1713-1784), com os nove Salões (1759-1781) e seus ensaios e reflexões sobre pintura, escultura e poesia, e Francesco Milizia (1725-1798), com a defesa dos conceitos rigoristas e classicistas em Dell’arte di vedere nelle belle arti del disegno (1781) e em Principi di architettura civile (1785), poderiam ser considerados fundadores e precursores desse espírito crítico que encontrou sua teorização no sistema filosófico de Immanuel Kant.

No caso de Milizia, suas teorias e interpretações derivam da doutrina de Carlo Lodoli (1690-1761), rigorista veneziano professor de Teologia e crítico radical do barroco, que, como Sócrates, não registrou suas teorias críticas em texto algum, deixando essa tarefa para seus discípulos: Andrea Memmo, Francesco Algarotti e o próprio Milizia. Em oposição à obra de Michelangelo e de Bernini, Milizia defende uma arquitetura funcionalista e racionalista, em que cada material é utilizado segundo sua própria lógica: “A arquitetura não pode conter outra beleza senão a que nasce do necessário”. Com seus textos, tem início um novo tipo de literatura crítica, que revisa cada grande obra de arte e de arquitetura com o máximo rigor, discernindo o acertado e o errôneo em cada um dos elementos daquelas obras. Nesses textos, que se converteram em referência a todo debate arquitetônico da primeira metade do século xix, começam a evidenciar-se as contradições incipientes da linguagem clássica.

Será, porém, a partir da arte de vanguarda e do movimento moderno que a atividade da crítica irá adquirir um papel mais relevante. A ruptura com a mímesis, as diversas gêneses da abstração, a defesa de uma nova arquitetura (racionalista, funcionalista, social, tecnologicamente avançada), tudo isso exigiria uma teoria, uma crítica e uma historiografia que acompanhassem a difusão da obra de arte e da arquitetura moderna até hoje. Com a expansão e a institucionalização da arquitetura moderna, a teoria e a crítica não só não arrefecem, como continuam a se desenvolver, estimuladas pelo panorama desconcertante que se descortina ante a crise do próprio movimento moderno. [...]

Copyright dos textos: os autores
Copyright da presente ediçao: Editorial Gustavo Gili SL

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