Hoje, transcorrida uma década e meia do século xxi, já temos o distanciamento suficiente para interpretar a evolução da arquitetura do final do século passado até a atualidade e detectar as características mais evidentes desse período. Neste estudo, que continua a obra Depois do movimento moderno. Arquitectura da segunda metade do século xx (Editorial Gustavo Gili, 2001), Josep Maria Montaner revisa a arquitetura que vai de 1990 a 2015, época que se caracterizou pelo apogeu e a crise da arquitetura entendida como objeto isolado e monumental, de custo exorbitante, e que mostrou o surgimento de alternativas contra o desperdício, a falta de contextualização e a ausência de valores: o renascimento da crítica radical e ativista, a defesa do urbanismo e da arquitetura informais e a intensificação da arquitetura ecológica e sustentável entendida como o bom uso dos recursos.
Sumário
Introdução
A continuidade do racionalismo e dos princípios modernistas
A aceitação do organicismo
Cultura, tipologia e memória urbana: monumentalidade e domesticidade
Arquitetura e fenomenologia
Fragmentação, caos e iconicidade
Diagramas de energia
Da crítica radical aos grupos: arquiteturas da informalidade
Arquiteturas do meio ambiente
Agradecimentos
Índice onomástico
Créditos das ilustrações
Trecho da introdução
Introdução
Transcorrida uma década e meia do século XXI, já podemos começar a interpretar a evolução da arquitetura desde o final do século passado e detectar as características mais notáveis deste novo período. Esta obra, que pode ser considerada uma continuação do livro Depois do movimento moderno: Arquitetura da segunda metade do século XX (1993), repensa a arquitetura do período entre 1990 e 2015 e revisa as correntes hegemônicas das décadas de 1970 e 1980 para comprovar quais aspectos se tornaram ultrapassados e quais foram renovados e que conceitos e movimentos surgiram neste novo século.
O debate sobre a arquitetura pós-moderna como linguagem formal tornou-se pouco relevante. Para isso, foi muito frutífera a diferenciação entre um pós-modernismo filosófico, moral e social como crítica humanista e feminista ao modernismo universalista, justificada especialmente pelo pós-estruturalismo ainda vigente, bem como pelo pós-modernismo estético, mais estilístico e superficial, conjuntural e efêmero. Além disso, hoje se comprova como o movimento pós-moder-no coincidiu com o delírio final do sistema analógico de representação da arquitetura, justamente quando começou a surgir a representação digital.
A mescla eclética e historicista que dominou a arquitetura mais comercial e emblemática do período pós-moderno está perdendo vigor. Ainda que os defensores do novo urbanismo nos Estados Unidos continuem fazendo a apologia de uma arquitetura retroativa, hoje a influência de personagens como Rob Krier ou Philippe Stark é menos relevante, e parte da arquitetura eclética se tornou icônica. Assim como veremos no primeiro capítulo desta obra, no desenvolvimento da arquitetura corporativa e comercial predomina uma retórica “metarracionalista”, da qual também padecem projetos internacionais reconhecidos e na qual se faz uma mistura comercial de elementos de linguagens contemporâneas procedentes de diversas arquiteturas eruditas.
Denominações como “arquitetura desconstrutivista” – que viabilizou o surgimento de experiências a partir dos novos meios de representação gráfica – ou “regionalismo crítico” – uma invenção paternalista da crítica dominante feita para se apropriar do progresso da arquitetura nos continentes americano e asiático – se tornaram obsoletas para interpretar a contemporaneidade.
Ao longo do período analisado por este livro, chegou-se a um apogeu e a uma crise da arquitetura entendida como artefato isolado, monumental e de custo excessivo. A ausência, neste estudo, de certos arquitetos de grandes empresas comerciais – os quais carecem de princípios éticos – não é um esquecimento casual, mas uma escolha proposital. Os excessos dessa arquitetura do desperdício e da ostentação têm provocado o surgimento de alternativas como aquelas que serão analisadas nos dois últimos capítulos e que reagem contra a falta de contexto e a ausência de valores: o renascer da crítica radical e engajada, relacionado com o desenvolvimento de novos métodos pedagógicos; a defesa do urbanismo e da arquitetura informal e a intensificação da arquitetura ecologicamente sustentável, entendida como aquela que faz o uso adequado dos recursos naturais. [...]
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