BRASIL · Parcele suas compras em até 3 x sem juros com o Paypal, parcelas mínimas de R$ 50,00

Disponível

Preço Normal: R$79,00

Special Price R$71,00

Oferta

Num texto nascido de uma série de conferências, Massimo Cacciari percorre a história da cidade através da sua essência e lança uma reflexão filosófica e estética provocadora.

Grécia e Roma dão início a este percurso, oferecendo dois modelos antagónicos de cidade: a pólis grega, de natureza étnica e, por definição, endogâmica e estanque; e o modelo legalista da civitas romana, uma cidade cuja essência programática a leva a abrirse e a crescer inexoravelmente. Herdeira do modelo romano, a cidade moderna europeia debate-se entre a sua condição de cidade-lugar para morar, de espaço de acolhimento e encontro de uma comunidade, e a sua condição de máquina, de cenário de intercâmbio e espaço de negotium. Mais tarde, na metrópole contemporânea, a produção e o mercado marcam o desenvolvimento da cidade e restringem definitivamente as marcas da história através da delimitação dos centros históricos.

Hoje habitamos a pós-metrópole, a cidade-território. E, embora os nossos corpos continuem a reclamar a necessidade de lugares, a pós-metrópole impõe uma geografia que se desprendeu de parâmetros espaciais para impor os temporais, onde os edifícios se transformam em acontecimentos e as distâncias em tempo.

Descrição técnica do livro:

15 x 24 cm
80 páginas
Português
ISBN/EAN: 9788425223709
Brochura
2013
Descrição
Descrição

Detalhes

Num texto nascido de uma série de conferências, Massimo Cacciari percorre a história da cidade através da sua essência e lança uma reflexão filosófica e estética provocadora.

Grécia e Roma dão início a este percurso, oferecendo dois modelos antagónicos de cidade: a pólis grega, de natureza étnica e, por definição, endogâmica e estanque; e o modelo legalista da civitas romana, uma cidade cuja essência programática a leva a abrirse e a crescer inexoravelmente. Herdeira do modelo romano, a cidade moderna europeia debate-se entre a sua condição de cidade-lugar para morar, de espaço de acolhimento e encontro de uma comunidade, e a sua condição de máquina, de cenário de intercâmbio e espaço de negotium. Mais tarde, na metrópole contemporânea, a produção e o mercado marcam o desenvolvimento da cidade e restringem definitivamente as marcas da história através da delimitação dos centros históricos.

Hoje habitamos a pós-metrópole, a cidade-território. E, embora os nossos corpos continuem a reclamar a necessidade de lugares, a pós-metrópole impõe uma geografia que se desprendeu de parâmetros espaciais para impor os temporais, onde os edifícios se transformam em acontecimentos e as distâncias em tempo.

Massimo Cacciari (n. Veneza, 1944) tem desenvolvido uma actividade ampla e diversa nos âmbitos da filosofia, da cultura e da política. Com formação em filosofia, professor de Estética na Universidade de Veneza e presidente da Câmara Municipal da mesma cidade em duas ocasiões, ao longo de toda a sua trajectória vital e profissional tem sabido combinar a política com uma estreita relação com o mundo académico e cultural. Entre as suas obras destacam-se Pensiero negativo e razionalizzazione (1977), Dallo Steinhof (1980), L'angelo necessario (1986) ou Della cosa ultima (2004).
Índice
Índice

Índice de conteúdos:

Apresentação

Capítulo 1. Pólis e civitas: a raiz étnica e o conceito dinâmico de cidade

Capítulo 2. A cidade europeia: entre lugar para morar e espaço de negotium

Capítulo 3. O advento da metrópole

Capítulo 4. A cidade-território (ou a pós-metrópole)
         O corpo e o lugar
         Espaços fechados e espaços abertos
         O território indefinido
         Espaço e tempo
         Um indicador: a polivalência dos edifícios

Capítulo 5. A perspectiva gnóstica: o habitar humano entre a terra e o céu

Capítulo 6. Para acabar em… beleza
Leia um trecho
Leia um trecho


Texto da introdução:

'Apresentação
Armido Rizzi

Este breve texto nasceu de um seminário realizado no Centro Sant’Apollinare de Fiesole. A gravação das conferências de Massimo Cacciari foi transcrita e editada, após trabalho atento e demorado, por Tonino Nasuto, e de seguida revista pelo responsável do Centro. O texto conserva intencionalmente um certo estilo 'falado', exibindo, contudo, algumas dificuldades resultantes da complexidade do tema, que por vezes parece entrar em contradição. Deve, por isso, ter-se presente o que o autor dizia no início da sua exposição: 'Desde as suas origens a cidade é 'investida' por uma ordem dupla de 'desejos': desejamos a cidade como 'seio', como 'mãe' e, em simultâneo, como 'máquina', como 'instrumento'; queremo-la 'éthos', no sentido original de morada e residência e, ao mesmo tempo, queremo-la um meio complexo de funções; pedimos-lhe segurança e 'paz' e, concomitantemente, pretendemos dela grande eficiência, eficácia e mobilidade. A cidade vive sujeita a questões contraditórias. Querer ultrapassar esta contraditoriedade é má utopia. É necessário, ao invés, dar-lhe forma. A cidade, na sua história, é a perene experiência de dar forma à contradição, ao conflito.'

Copyright del texto: sus autores
Copyright de la edición: Editorial Gustavo Gili SL
|||---|||

Trecho do capítulo 1:

'Pólis e civitas: a raiz étnica e o conceito dinâmico de cidade

Uma vez que não faz muito sentido falar de cidade em sentido geral, é bom começar por fazer alguns esclarecimentos do ponto de vista histórico-terminológico. A cidade enquanto tal não existe. Existem diferentes e distintas formas de vida urbana. Não é por acaso que o termo «cidade» pode ser dito de diferentes maneiras. Por exemplo, em latim não existe termo correspondente ao grego pólis. A diferença respeitante à origem da cidade é uma diferença essencial. Quando um grego fala de pólis pretende, antes de mais, indicar a sede, a residência, o lugar em que um determinado génos, uma determinada estirpe, uma gente (gens/génos) tem as suas raízes. Em grego, o termo pólis remete de imediato para uma ideia forte de enraizamento. A pólis é o lugar onde determinada gente, específica no que toca a tradições e costumes, tem a sua sede, reside, onde tem o seu próprio éthos. Em grego, éthos é um termo que indica a mesma raiz do termo latino sedes, e não tem nenhum significado unicamente moral, como pelo contrário o termo latino mos. Os mores latinos são tradições, costumes; o éthos grego -termo muito anterior a qualquer costume e tradição- é a sede, o lugar onde a minha gente tradicionalmente mora, reside. E a pólis é precisamente o lugar do éthos, o lugar que serve de sede a determinada gente.

Esta especificidade ontológica e genealógica do termo pólis não está presente no termo latino civitas. A diferença é radical, já que no termo latino civitas, reflectindo bem, se manifesta a sua proveniência do termo civis, e os cives formam um conjunto de pessoas que se reuniram para dar vida à cidade. Émile Benveniste, o grande linguista indo-europeu, sublinhou muito bem este aspecto há já bastante tempo.

Não existe, portanto, madame la ville, assim como não existe monsieur le capital ou madame la terre. Civitas é um termo que deriva de civis, portanto, de certo modo surge como produto dos cives quando se reúnem num mesmo lugar e se submetem às mesmas leis. No grego, ao invés, a relação inverte-se por completo, já que o termo fundamental é pólis e o derivado é polítes, o cidadão. Note-se a perfeita correspondência entre a desinência de polítes e de civitas; mas, no segundo caso, indica a cidade, no primeiro, o cidadão. Para os romanos a civitas é, desde sempre, aquilo que é produzido pela reunião de várias pessoas sob as mesmas leis para lá de qualquer especificidade étnica ou religiosa. Este é um aspecto absolutamente característico e extraordinário da Constituição romana comparativamente à história das cidades gregas e helénicas que a precederam. E é fundamental para compreender, de seguida, a força política da história romana, a ênfase política -no sentido actual do termo-, que domina a história romana. (...)'

Copyright dos textos: os autores
Copyright da presente ediçao: Editorial Gustavo Gili SL
O que a imprensa disse
O que a imprensa disse

Massimo Cacciari, A Cidade

(Mário Chaves, Arqa nº 92/93, 05-06/2011)

Descargar

Resenhas de Cliente

Dê-nos sua opinião

Escrever sua própria revisão

Você está revisando: A cidade

Como você avalia este produto? *